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Lideranças de 19 Estados marcam a fundação do Partido
Pátria Livre
Ato de lançamento do PPL será no dia 21 de abril, em São
Paulo. Comissão Organizadora reuniu-se nos dias 28 e 29
para definir os projetos de programa e de estatuto do
partido
Por
decisão da Comissão Organizadora do Partido Pátria Livre,
o ato de fundação do novo partido será realizado em São
Paulo no dia 21 de abril – data que condensa o primeiro
grande momento da luta do povo brasileiro pela liberdade
e pelo progresso, a tentativa heróica de Tiradentes de
empreender a revolução nacional pela independência do
Brasil.
A Comissão
Organizadora do PPL, presidida por Sérgio Rubens de
Araújo Torres e formada por lideranças políticas,
sindicais, femininas, afro-brasileiras, comunitárias e
da juventude de 19 Estados, reuniu-se no sábado e
domingo, dias 28 e 29, também em São Paulo. Foi
discutido o esboço de programa, apresentado pelo
presidente da Comissão, e o projeto de estatuto,
apresentado por Jorge Alves de Almeida Venâncio, que
serão apreciados no ato de fundação.
Cerca de
40 dos organizadores do PPL fizeram uso da palavra, “num
intenso e fraterno debate”, segundo declarou ao HP o
vereador Werner Rempel, de Santa Maria, membro da
delegação gaúcha, de que também fazia parte o vereador
Toni Proença, de Porto Alegre. Os organizadores gaúchos
do PPL eram encabeçados por Mari Perusso, coordenadora
do partido no Rio Grande do Sul.
“O peso da
idade torna-se leve”, disse, do alto dos seus mais de 80
anos, o professor Eduardo de Oliveira, presidente do
Congresso Nacional Afro-Brasileiro, ao sublinhar o ânimo
que perpassava a reunião, diante das perspectivas
colocadas pelo esboço de programa que foi apresentado.
NACIONALIDADE
A análise
da trajetória de nossa nacionalidade, sobretudo em
relação aos anos da República – a predominância da
oligarquia cafeeira na República Velha, a contribuição
gigantesca de Getúlio Vargas e a Revolução de 30, os
anos JK, o significado do golpe de Estado de 1964 e os
anos posteriores e mais recentes – foi o conteúdo do
esboço de programa, assim como a identificação dos
mecanismos de espoliação colonial da nossa nação e a
necessidade de superá-los através da unidade de todas as
forças que, por representarem o trabalho e a capacidade
dos brasileiros, compõem a fisionomia do país.
A
intervenção de Miguel Manso, que, juntamente com Sérgio
Rubens, coordenou a reunião, foi especialmente
importante quanto ao problema do desenvolvimento de uma
ciência e tecnologia nacionais e seu papel decisivo para
que o país rompa o bloqueio estabelecido pelos
monopólios externos.
Emerson
Leal, vice-prefeito reeleito da cidade paulista de São
Carlos, além de destacar a abordagem, na discussão, dos
problemas nacionais – em especial das amarras que ainda
impedem o Brasil de ser um país desenvolvido e justo –
lembrou a presença, na Comissão Organizadora do Pátria
Livre, de Cabeça Filho, líder da histórica greve de
1968, que enfrentou a ditadura em sua cidade, e de
Rosalino de Jesus Barros, atual presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de São Carlos. Da mesma cidade, teve
atuação marcante durante a reunião o professor e físico
José Eduardo Martinho Hornos.
Rosanita
Campos, fundadora da Confederação das Mulheres do Brasil,
destacou a profundidade do esboço de programa e a
necessidade de tê-lo como norte para a orientação da
luta de nosso povo.
Nélio
Botelho, líder dos caminhoneiros e diretor da Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), também
participou da reunião, assim como Oswaldo Lourenço, do
movimento dos aposentados; Ubiraci Dantas, vice-presidente
da CGTB; Carlos Alberto Pereira, secretário-geral desta
central; e Adolfo Grassi, presidente do Sindicato dos
Servidores de Mato Grosso.
O maestro
Marcus Vinícius de Andrade, presidente da Associação de
Músicos Arranjadores e Regentes-Sociedade Musical
Brasileira (AMAR-SOMBRÁS), aportou importante
contribuição ao indissociável aspecto cultural da luta
pela independência, destacando a criatividade histórica
dos brasileiros e a necessidade de que ela seja
protegida contra a usurpação colonizada e colonizadora.
Lídia
Correa, presidente da Federação das Mulheres Paulistas,
foi especialmente aplaudida pelo plenário, ao destacar a
receptividade ao Pátria Livre por parte de várias
personalidades representativas de setores da sociedade,
mesmo antes de seu ato de fundação.
O
coordenador do PPL no Rio de Janeiro, Irapuan Ramos,
enriqueceu o debate em torno da desnacionalização da
economia, assim como Paulo Eduardo Cardoso. Também do
Rio, fez uso da palavra Ricardo Latgé, geólogo da
Petrobrás e Tiago Nunes Cunha Filho, presidente do
Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Nova
Iguaçu.
A
presidente da Federação Democrática Internacional de
Mulheres, Márcia Campos, frisou a nova época aberta para
o nosso país com a crise nos EUA. Europa e Japão.
Edna Costa, presidente da Federação de Mulheres
Pernambucanas, discorreu sobre os problemas vividos no
Nordeste, região mais sofrida do país.
Após dois
dias de reunião, a Comissão Organizadora do Pátria Livre
aprovou os procedimentos para a obtenção das 500 mil
assinaturas de apoio, exigidas pela lei para a
legalização dos partidos, resolveu iniciar imediatamente
a filiação e estabeleceu a data do ato de fundação.
C.L.
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